terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Sentimentos Forasteiros
Hoje, como de costume, eu acordei e fui ler o jornal sentado na varanda. Assim, como há mais de vinte anos cumpro religiosamente este praxe, Dora logo que acorda corre até a padaria para comprar pão fresquinho. Vejo-a chegar, abrindo o pequeno portão, neste instante me percorre pelo corpo um frio na barriga, igual ao tempo que namorávamos naquele mesmo portão durante a nossa adolescência - a melhor sensação do mundo.
Lembro-me de quando éramos jovens, qualquer mísero erro ou uma palavra estúpida gerava aquela discussão catastrófica, uma verdadeira hecatombe. Isso significava lágrimas, noites em branco, dores de estômago e similares. Nossas brigas eram cômicas e trágicas. Mas como diz a música " te odeio por quase um segundo e depois te amo mais." Ambos sabiam que não conseguiriam respirar sem saber que o outro estava bem, nós dois tínhamos a certeza que éramos literal, psicótica e absurdamente apaixonados um pelo outro.
Digamos, era amor, o mais afetuoso e profundo. Isso se confirmava a cada olhar e em cada briga também.
Por Carolina Arruda.
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